segunda-feira, 25 de julho de 2011

Percepção e Educação Ambiental: Articulação com o ensino da Geografi



A educação ambiental afirma valores e ações que contribuem para a trsnsformação humana e social e para a preservação ecológica. Isto requer responsabilidade individual e coletiva em nível local, nacional e planetário. Segundo a Lei n° 9795, de 27 de abril de 2009, a educação ambiental é concebida como os processos por meio dos quais o indivíduo  e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competêcias voltadas para a conservação do meio ambiente.
É possível afirmar que todos nós, hoje em dia, buscamos um meio ambiente sustentável, uma sociedade sustentável, uma economia sutentável, enfim, um desenvolvimento sustentável, ou seja, o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. A educação ambiental, hoje, caminha para a sustentabilidade e, de acordo com Barbosa (2002), trata-se de um relevante instrumento para o processo de construção de novas alternativas para o desenvolvimento.
As preocupações com a educação ambiental se intensificaram na década de 1970. Desde então seu conceito tem evoluido sempre vinculado ao do meio ambiente. Assim, uma das concepções adotadas, apresenta o entendimento de que, como a educação ambiental tem sido praticada a partir da compreensão que se tem do meio ambiente, esse processo pode acontecer de duas maneiras: artavés do conceito científico, cujo entendimento é universal explicitando o consenso acerca de um determinado conhecimento para a comunidade científica ou por meio de representações sociais, isto é, a forma como os conceitos científicos são percebidos e internalizados pelos indivíduos no seu cotidiano (REIGOTA, 1994).
Rocha defende a ideia de que tudo que cerca o ser vivo, que o influencia e que é indispensável à sua sustentação constitui o meio ambiente. Deste modo, a percepção é fator fundamental para uma ação mais racional e capaz de responder às necessidades sociais. Essa percepção deve ser encarada como uma tomada de consciência do ambiente pelo homem, em que perceba o ambiente que se está localizado, aprendendo a protegê-lo e cuidá-lo da melhor forma. Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente, frente às ações sobre o meio, sendo que o homem está constantemente agindo sobre o meio para sanar suas necessidades e desejos.
Faz-se necessário ressaltar que é a partir da percepção ambiental que se pode mencionar a microrregião de Irecê, na Bahia, que se tornou conhecida como a capital do feijão, pelas enormes áreas cultivadas e condições climáticas ideais para esse cultivo. Com a ação do homem, o meio ambiente local já se encontra interferido com as queimadas das poucas áreas com árvores que existiam para dar lugar às plantações de feijão, milho e mamona. Atualmente, a terra não é mais tão fértil quanto antes e é uma região castigada pela seca, devido à interferência humana na natureza. Contudo, a partir da década de 1980, deu-se início a utilização da agricultura irrigada com o cultivo de cenoura e de outros produtos, ocasionando mais um problema preocupante: o uso indiscriminado de agrotóxicos.
O nome “Irecê” significa rio subterrâneo, porém, hoje, já não existe mais um solo com água subterrânea, que atenda às necessidades da população, pois cresce a cada dia, a quantidade de poços artesianos, que, além de retirar a água para usar nas irrigações, vem contribuindo para a compactação do solo, tornando mais vulnerável e até sujeito à abertura de crateras. A região já é apelidada de “tábua de pirulito” devido a tantos poços abertos e muitos deles, só o buraco, pois não tem mais água. São várias as consequencias e, considerando a trregularidade das chuvas, a água apresenta-se como um recurso escasso na região.
Sendo um dos objetivos da educação ambiental, motivar a mudança de atitude dos indivíduos e se ela deve se encontrar intrisecamente ligada à vida cotidiana, a percepção ambiental, como um exercício de decodificação e interpretação desta vivência, pode ser considerada de grande aplicabilidade para o desenvolvimento.
O estudo das dinâmicas que envolvem o lugar onde se vive pode ser um passo importante para aqueles que estão ensinando e aprendendo geografia. A construção do pensamento geográfico está diretamente relacionada ao desenvolvimento de capacidades de leitura do espaço. A categoria de análise – lugar – é fato importante na pesquisa em ensino de geografia e educação ambiental, pois permite um exercício de reflexão acerca das dimensões que compõem a totalidade do espaço geográfico. Dessa forma, se estabelecem vínculos globais a partir de realidades locais. É preciso introduzir-se no local e em sua própria cultura , para que de fato, haja uma ação interpretativa das diversas vertentes que estão inseridas e materializadas naquela porção do espaço.
Para tanto, o que precisa acontecer para uma “sustentabilidade” realmente ocorrer, é uma mudança geral de comportamento e estilos de vida, principalmente em padrões de consumo e produção. Deve-se levar os alunos a compreender a complexidade do ambiente resultante das iterações nos seus aspectos biológicos, físicos, sociais e culturais, criando um modo de interpretarem isoladamente esses diferentes elementos no espaço e no tempo, a fim de que futuramente realizem uma utilização mais criteriosa e prudente dos recursos naturais.
Daí vê-se claramente que a ação educativa tende a operar concomitantemente em dois níveis: em nível individual, na medida em que orienta o uso do meio e em nível societário, criando uma consciência crítica, do meio como um todo e, sobretudo, de apontar as distorções dos sistemas em relação ao ambiente.
Percebe-se que o estudo do meio é um, entre os tantosmodos de fazer em educação, que considera os processos geográficos simultâneos que permeiam o lugar de estudo. Este, como método de ensino-aprendizagem, permite ao sujeito participar ativamente do processo de construção do conhecimento, além de possibilitar o entendimento das dinâmicas espaciais e temporais, na medida em que une teoria e prática. Pode-se concluir que, a pesquisa em ennsino de geografia e educação ambiental teve e continua tendo como principal objetivo, a produção de conhecimentos pedagógicos e andragógicos para a consolidação da dimensão ambiental na educação geográfica.

 REFERÊNCIAS:

Disponível em www.moodle.ufba.br/mod/forum/discuss.php?d=17677 .Acesso em: 29 de outubro de 2009.

Disponível em www.reporterbrasil.com.br/agrocombustiveis/relatorio.php . Acesso em: 29 de outubro de 2009.

MATA, S. F.; GAVAZZA, S.; ALMEIDA, M. C. M.; BARROS, R. P. (ORGS.) Educação ambiental: Projetivas do Século. Rio de Janeiro. MZ Editora. 32-37 pp. 2001.